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Manual do Jogo “Maha Lila Taokopelli”
A alegria de brincar na gangorra da Vida

Vajra Kika & Bia Blossom
versão 1.0 – curta-curtíssima
Março de 2018
www.mahalila.blog.br

Título Original: Manual do Jogo Maha Lila Taokopelli

Primeira edição: março de 2018

Desenho Taokopelli ®: Amilcar Brunazo Filho e Beatriz Margarita Adler

Desenho Tabuleiro: Amilcar Brunazo Filho e Beatriz Margarita Adler

Edição gráfica do tabuleiro: David Henrique Alencar

Copy Left

Obra publicada sob a Licença Pública Creative Commons (CCPL) com Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual CC BY-NC-SA 3.0: livre para remissão, distribuição e republicação sem fins comerciais desde que mantidas a referências de autoria e os mesmos direitos aqui cedidos.

Texto da licença CC BY-NC-SA/BR 3.0 está em: http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/3.0/br/

Índice

1. Introdução
1.1 O que é o Maha Lila
1.2 O Taokopelli
1.3 O Sentido do Jogo
1.4 A Inspiração

2. O Tabuleiro do Jogo
2.1 As Conexões das 10 Serpentes
2.2 As Conexões das 10 Flechas

3. Regras do Jogo
3.1 As Regras Propostas
3.2 Exercícios Alternativos Propostos

4. Descrição das Estações

5. Descrição das Casas

6. Agradecimentos e Referências

7. Sobre os Autores

1. Introdução

1.1  – O que é o Maha Lila-Taokopelli

Maha Lila é o nome em sânscrito de um antigo e muito popular jogo de mesa indiano que pode ser traduzido por Grande Brincadeira. Originalmente era conhecido como Jñana Chaupadi ou Gyan Chaupad, o Jogo do Conhecimento.
Criado ao longo de muitas gerações, por sábios e mestres yoguis, esse jogo é um microcosmos do grande jogo da Vida.

Se jogado de forma mecânica, sem considerar os significados de cada casa, é um divertimento que cativa as crianças pela dinâmica das gangorras, com idas e vindas, subidas e quedas. Um prefácio da Vida.

Maha Lila, no entanto, é um exercício de atenção e consciência. Quanto mais se envolve, mais se gosta. Quanto mais se concentra, mais revela. Sua concepção incorpora diferentes níveis da maturidade humana e se torna atrativo para todas as idades.

Alguns veem e praticam o jogo como um oráculo, outros o utilizam com finalidades clínicas, como ferramenta de apoio em terapias comportamentais.
Também pode ajudar a evolução e o amadurecimento emocional, desenvolvendo o desapego das identificações às coisas passageiras, por sempre mostrar como as emoções e sentimentos são relativos, sempre vêm e vão.

1.2 – O Taokopelli

Para expressar a alegria ao se jogar o jogo da Vida, os autores criaram a ilustração TaoKopelli ®, abaixo, que é composta por dois personagens Kokopelli, da cultura indígena norte-americana e que simbolizam a alegria e a fertilidade, jogando uma bola que é o TAO (Yin – Yang), símbolo da Vida em Movimento e do Equilíbrio na antiga cultura chinesa.

Assim, Maha Lila Taokopelli é uma versão lúdica do Maha Lila quando jogado pelo prazer de brincar na Vida.

1.3 – O Sentido do Jogo

Os propósitos para se jogar o Maha Lila podem ser vários:

• Como um divertido jogo infantil de tabuleiro, com dados, serpentes e flechas.
• Como um passatempo instigante e instrutivo, jogado sozinho ou com amigos, juntando alegria e reflexão num jogo onde não há adversários a serem vencidos.
• Como exercício de autoconhecimento, alegre e lúdico, aprendendo um pouco mais a cada jogada.
• Ou pelo puro prazer de brincar, sem nenhum outro compromisso ou expectativa.

Participar do Maha Lila só pelo prazer de jogar, sem estar visando alguma espécie de “melhora” ou “cura”, permite ao jogador não assumir carências pessoais como requisito para iniciar o jogo.

Ao longo do tabuleiro do Maha Lila, cada jogador vai construir seu próprio caminho e passa a ser um verdadeiro caminhante, comunicativo, travesso, espirituoso e reflexivo, expandindo seus horizontes entre o início e o final do jogo, que não é definitivo, pois quem alcançar seu objetivo maior estará na mesma situação que estava antes de iniciar o jogo, o qual se inicia e termina na casa 68 (Consciência Cósmica), e poderá recomeçar se quiser).

1.4 – A Inspiração

Bia Blossom e Vajra Kika, autores desta adaptação Maha Lila Taokopelli, tomaram conhecimento deste jogo assistindo os vídeos do professor belga Peter Marchand e lendo a versão inspirada e carinhosa de Graciela Cohen, e logo sentiram forte identificação com essa prática que une divertimento e instrução.

Peter Marchand e Graciela Cohen, por sua vez, inspiraram-se na obra do mestre Harish Johari.

2. O Tabuleiro do Jogo

O jogo Maha Lila se desenvolve num tabuleiro retangular de 72 casas, ordenadas em oito linhas e nove colunas. A numeração das casas se inicia com o número 1 na primeira casa inferior à esquerda, seguindo-se pelas casas laterais e passando-se à casa superior quando acaba uma linha.
Sobre o tabuleiro estão desenhadas 10 serpentes e 10 flechas (ou escadas, espadas ou cometas, em outras versões) que conectam duas casas de estações diferentes. Por isso, o Maha Lila também é conhecido como Yoga das Serpentes e Flechas.

2.1 –  Conexões das 10 Serpentes – da cabeça à cauda

• Da Casa 72 à 51  => Da inércia à mãe Terra
• Da Casa 63 à 02  => Da escuridão à ilusão
• Da Casa 61 à 13  => Da negatividade à nulidade
• Da Casa 55 à 03 => Do egoísmo à raiva
• Da Casa 52 à 35  => Da violência ao purgatório
• Da Casa 44 à 09 =>Da ignorância aos desejos
• Da Casa 29 à 06 => Da prática inadequada à delusão
• Da Casa 24 à 7 => Das más companhias à vaidade
• Da Casa 16 à 4 => Dos ciúmes à ganância
• Da Casa 12 à 8 => Da inveja à avareza

2.2 As Conexões das 10 Flechas – da base à ponta

• Da Casa 10 à 23 => Da purificação ao plano celestial
• Da Casa 17 à 69 => Da benevolência ao criador e criação
• Da Casa 20 à 32 => Da caridade ao plano do equilíbrio
• Da Casa 22 à 60 => Da virtude à positividade
• Da Casa 27 à 41 => Do altruísmo ao plano humano
• Da Casa 28 à 50 => Da prática adequada ao plano de austeridade
• Da Casa 37 à 66 => Do conhecimento à bem-aventurança
• Da Casa 45 à 67 => Da percepção correta ao bem cósmico
• Da Casa 46 à 62 => Do discernimento à felicidade
• Da Casa 54 à 68 => Da devoção à consciência cósmica

3. Regras do Jogo

Cada uma das 72 casas do tabuleiro está relacionada a sentimentos, emoções, situações, percepções, etc., formando uma espécie de “Tabela Periódica dos Estados de Consciência”, que estão descritos com o nome em sânscrito acompanhado de uma versão em português.

Muitos autores usam a palavra “nível” para designar cada linha de nove casas do tabuleiro do Maha Lila. Preferimos adotar a palavra “estação”, que sugere uma sequência ou caminho sem remeter à ideia de hierarquia entre elas. As sete primeiras estações estão relacionadas aos sete chakras do homem e a estação superior representa o além do humano, o Plano Divino.

Existem variações nas regras como muitos jogam o Maha Lila. O que se apresenta a seguir é uma adaptação sobre o proposto por vários autores e professores que têm tratado desse jogo e que são citados nos agradecimentos e referências ao final.

3.1 – As Regras Propostas

1) Cada Caminhante Lila fará seu próprio jogo, independente dos outros. Não se joga contra ninguém, apenas se constrói o próprio caminho, percorrendo o tabuleiro.
2) No tabuleiro, cada jogador será representado por um pequeno objeto de sua escolha (anel, pedra, moeda, etc.).
3) Cada movimento de um objeto no tabuleiro se dá pelo lance de um dado cúbico (numerado de 1 a 6), caminhando-se pela ordem crescente das casas.
4) Antes de iniciar o jogo, todos os jogadores colocam seu objeto na casa 68 (Consciência Cósmica) e aguardam a vez de lançar o dado. Colocados os objetos, é feita a leitura para reflexão da carta descritiva dessa casa.
5) O jogador que tiver o maior número na primeira rodada do dado irá iniciar o jogo. Para iniciar, cada Caminhante Lila joga o dado que determina a casa para qual irá se mover, mas antes passa obrigatoriamente pela casa 1 (Gênesis), lê e reflete sobre o seu conteúdo.
Uma regra alternativa para o inicio do jogo é que cada jogador só inicie seus movimentos após tirar um 6 no dado, lendo o conteúdo da casa 1 (Gênesis) e seguindo para a casa 6 (Delusão).
6) Sempre que tirar um 6, o jogador caminha as seis casas e joga o dado novamente, continuando sua caminhada.
7) Ao completar o movimento, o jogador deve ler em voz alta e refletir sobre a carta da casa que alcançou. Na sequência, passa-se o dado para o Caminhante Lila à sua esquerda.
8) Ao cair numa casa onde tenha a cabeça de uma serpente, depois de ler e refletir sobre seu significado, o objeto do jogador retrocede para a casa onde está a ponta da cauda da serpente e volta a ler e refletir sobre esta casa.
9) Ao cair numa casa onde tenha a base de uma flecha, depois de ler e refletir sobre seu significado, o objeto do caminhante avança para a casa onde está a ponta da flecha e também lê e reflete sobre a nova casa.
10) O objetivo maior de cada participante é alcançar a casa 68 (Consciência Cósmica). Chegando a ela, volta a refletir sobre seu significado.
11) Ao chegar à casa 68, o jogador estará na mesma posição que estava antes de iniciar o jogo, mas com mais conhecimento da Vida, e poderá optar por descansar nessa casa ou voltar ao jogo na rodada seguinte do dado.
12) Se passar da casa 68, o Caminhante Lila continua jogando normalmente para tentar atingir a casa 72 (Inércia) e, assim, ser levado pela serpente para a casa 50 (Mãe Terra). Caso tire um número maior que o necessário para chegar à casa 72, o jogador retrocede seu objeto o valor excedente no máximo até a casa 69 e tenta alcançá-la na próxima rodada.

3.2 Exercícios Alternativos Propostos

• ler somente o texto das casas conectadas pelas serpentes e refletir sobre suas conexões.
• ler somente o texto das casas conectadas pelas flechas e refletir sobre suas conexões.
• jogar sozinho, uma jogada por dia, e refletir a cada movimento.
• ler e comparar as diversas versões descritivas das casas por diversos autores.
• encontrar o caminho mais rápido para alcançar a casa 68 (Consciência Cósmica) e refletir sobre as casas desse caminho.

4. Descrição das Estações

Cada linha do tabuleiro, com nove casas, é denominada uma Estação a ser percorrida pelo Caminhante Lila. A seguir, uma descrição das características das Estações.

Primeira Estação – Plano Pessoal – Os Fundamentos do Ser

A primeira estação (primeira linha) do tabuleiro do Maha Lila está relacionada ao Chakra Raíz ou o plano mais básico de existência física e emocional humana onde estão as casas do gênesis, da ilusão, da raiva, da ganância, da delusão, da presunção, da avareza e dos desejos.
Normalmente se entende esses estados como negativos ou ruins, mas no Maha Lila se entende que essas pulsões são úteis e proveem o impulso inicial para a sobrevivência e para a evolução.
Por isso, nesse plano não há flechas que conduzam rapidamente o jogador às outras estações, porque ele deve experimentar todos os seus ânimos, temperamentos e estados de consciência para ganhar o ímpeto e o gosto do desenvolvimento pessoal, sendo este percurso fundamental para sua formação e amadurecimento.
Há, no entanto, sete serpentes que trazem de volta o jogador para a primeira estação, demonstrando a importância primária de um completo e correto desenvolvimento da pessoa no plano mais bruto de existência.

Segunda estação – Plano Imaginário – O Reino da Fantasia

A segunda estação está relacionada ao Chakra do Baixo Ventre (intestinos, bexiga e órgãos genitais) é o plano da fantasia, da diversão e da sexualidade.
Nesse plano há duas flechas, elevando o jogador a planos superiores, e duas cabeças de serpentes, forçando o retorno à primeira estação. Aqui ocorrem fortes emoções devido ao poder ambíguo, tanto construtivo quanto destrutivo, da fantasia e da criatividade, mãe de todas as artes.
O Caminhante Lila começa a perceber que sua existência é multidimensional e se deslumbra com a abundância de cores, ritmos e ânimos que experimenta. Só que a fantasia consome mais energia vital que qualquer outra atividade do homem, e pode exauri-lo.
Como todas as demais estações, deveria ser um local de passagem, mas a forte atração da sexualidade pode reter o passageiro da vida nesse plano por muito tempo, às vezes pela vida inteira, interrompendo o desenvolvimento do caminhante nos demais planos mais sutis da existência.
Nessa estação também está o ponto de retorno da serpente da casa 61 (negatividade).

Terceira estação: Plano da ação – Teatro do karma

A terceira estação está relacionada ao Chakra do Plexo Solar (rede nervosa celíaca, estômago, fígado, pâncreas e baço) e é o plano da força, do trabalho e da ação. É aqui que o Caminhante Lila processa e acumula a energia para usá-la em seu serviço futuro e na própria evolução. O Teatro do Karma, enfim, onde a própria ação influencia os passos seguintes.
O caminhante pode desenvolver a autoconfiança em sua capacidade de trabalho, porém há que se cuidar para que o autoritarismo não se estabeleça. O melhor atributo dessa estação é a ordem que é gerada pelo trabalho altruísta.
Nesse plano há as bases de três flechas, elevando o jogador a planos superiores, e apenas uma cabeça de serpente, que o retorna à primeira estação, mostrando que é um plano que favorece o crescimento do indivíduo a alçar voos maiores.

Quarta estação: Plano do Equilíbrio – Alcançando a harmonia

A quarta estação se refere ao Chakra do Coração, localizado bem no centro dos sete chakras principais, e assim é o plano do equilíbrio.
É quando o Caminhante Lila começa a conscientizar-se dos padrões das vibrações que permeiam sua vida para além do físico, e passa a intuir, ainda que não compreenda completamente, o lado etérico e mais sutil do ser, começando a expressar e desenvolver a força do amor, do autocuidado e da cura.
Nesse plano há simetria e pleno equilíbrio entre ascensões e quedas, ou entre flechas e serpentes. A Casa 28 (Percepção correta) é a base da flecha que eleva o caminhante para o plano da austeridade; na Casa 32 (Plano do equilíbrio) está a ponta da flecha que vem da caridade; na Casa 29 (Prática inadequada) se encontra a cabeça da serpente que regride ao plano básico; e a Casa 35 (Purgatório) é a cauda da serpente que trás o jogador de volta ao plano da violência.
Tudo é uma questão de manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo.

Quinta estação: Plano do Conhecimento – Conhecer a si mesmo

A quinta estação se refere ao Chakra da Garganta, que está no ponto de junção da espinha dorsal com o cérebro. É o Plano do Conhecimento ou Jñana (gyana).
O Caminhante Lila quando passa por este plano começa a compartilhar as lições coletadas durante as experiências que teve, e vai aos poucos realizando que eram, de fato, IMPERIÊNCIAS. Desenvolve a capacidade de comunicação e se torna cativante para contar suas histórias e estórias e expressar sua alegria, prazer e conhecimento.
Há, no entanto, que cuidar-se contra a tendência à arrogância e à soberba, o engodo da ignorância. É um engano pensar que já se alcançou o topo do saber, achando que “o meu caminho é o único verdadeiro”, pois cada um faz seu próprio caminho.
Nesse plano nascem duas flechas que elevam a níveis superiores, uma flecha que chega da casa do altruísmo e há a cabeça da serpente na Casa 44 (ignorância) que devolve o caminhante ao plano material dos desejos e da sensualidade.

Sexta estação: Plano da Transformação – Tempo de penitência

A sexta estação se refere ao Chakra da Terceiro Olho, localizado na região da glândula pineal, entre as sobrancelhas. É o Plano da Transformação do físico no etéreo, quando o EU se funde ao Coletivo. É também o Tempo da Penitência, quando se compreende seu lugar e seu papel no Universo.
Aqui, o Caminhante Lila começa a superar a individualidade e, assim, a dualidade “Eu e o Resto” se dissolve. O sentimento da unidade indivisível se estabelece. O indivíduo deixa de se ver em si mesmo e compreende que é Consciência Suprema.
Nesse plano está a flecha da Devoção que leva o caminhante a atingir diretamente a Casa 68 (Consciência Cósmica), o objetivo principal do jogo. Também há a flecha do discernimento , que eleva à felicidade, e a única serpente que regride o jogador, da violência ao purgatório, para retomar sua caminhada.

Sétima estação: Plano do Real – Conexão com a fonte

A sétima estação está relacionada ao Chakra da Coroa, localizado na parte superior da cabeça, que dinamiza a capacidade espiritual e a consciência superior. A tradição de coroar os reis fundamenta-se no princípio da estimulação deste chakra. É chamado de Plano do Real, por surgir a conexão com a fonte do ser.
Ao observar a beleza e a coerência do mundo à sua volta, o Caminhante Lila percebe a vibração primordial OM, a força viva da respiração, da positividade e a essência da luz.
Enfrenta também as maiores serpentes e tombos do jogo – o egoismo, a negatividade e a escuridão – que o fazem retornar aos planos iniciais mais terrenos.
Nesse caso, levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima!

Oitava estação: Plano do absoluto – Os próprios Deuses

A oitava estação está além dos chakras. É o local além dos sentimentos humanos, o Plano do Absoluto, onde cada casa tem uma força divina.
As primeiras três casas são o espaço dos fenômenos, o espaço interior de cada um e o espaço da bem-aventurança. As três casas do meio são as três formas da ação divina, a criação (Brahma), e evolução (Shiva) e o equilíbrio (Vishnu). E as três casas finais são as três possíveis formas de ação humana: ativa, passiva e harmônica.
Nessa estação está a Casa 68 (Consciência Cósmica:), onde se inicia e se termina o jogo. Quatro flechas conduzem o Caminhante Lila para cá e apenas uma serpente, da inércia na casa final do tabuleiro, leva o jogador de volta à Mãe Terra.
Esses são os ciclos constantes do TAO que inspiraram a criação do Taokopelli, a alegria de brincar na gangorra da Vida.

5. Descrição das Casas

Caminhante, não há caminho, se faz caminho ao andar!

A seguir, uma descrição curta-curtíssima de cada Casa.

Primeira Estação

Casa 1 – Gênesis:
Bem vindo ao jogo. Aceite as regras. Alea jacta est.

Casa 2 – Ilusão:
Nada é como lhe parece.

Casa 3 – Raiva:
Filha do medo, a raiva é mãe da covardia.

Casa 4 – Ganância:
A ganância que lhe move é a mesma que lhe mata.

Casa 5 – Plano físico:
A base física suporta o todo: terreno, sensual e espiritual.

Casa 6 – Delusão, apego à ilusão:
Aprenda a libertar-se da ilusão: o pior cego é o que não quer ver.

Casa 7 – Vaidade, presunção:
A idolatria de si mesmo só conduz a conquistas passageiras.

Casa 8 – Avareza:
Avareza é tirano cruel: manda juntar e o priva daquilo que acumula.

Casa 9 – Desejos, sensualidade:
O vazio do ser não se preenche só com a satisfação de desejos.

Segunda Estação

Casa 10 – Purificação:
Deixar para trás o que já foi útil, abre espaço para as coisas novas.

Casa 11 – Divertimento:
Quem canta, seus males espanta.

Casa 12 – Inveja:
Quem desdenha quer comprar. A inveja drena energia.

Casa 13 – Nulidade, limbo:
Falta de energia vital pode ser passagem, talvez crescimento.

Casa 14 – Plano astral:
Sonhar sim, mas sem se perder nos sonhos.

Casa 15 – Fantasia:
Sem fantasia, não tem Carnaval.

Casa 16 – Ciúmes, aversão:
Ciúmes, o dragão que mata o amor sob o pretexto de mantê-lo.

Casa 17 – Benevolência, graça:
Palavras de amizade e conforto têm eco infindável.

Casa 18 – Alegria:
Alegria, a melhor coisa que existe.

Terceira Estação

Casa 19 – Ação:
Você colhe o que você planta. Disso não se escapa.

Casa 20 – Caridade:
Tudo que eu dei, ainda está comigo.

Casa 21 – Reparação, expiação:
A primeira glória é a reparação dos erros.

Casa 22 – Virtude:
Que cada um exercite a arte que conhece.

Casa 23 – Plano celestial:
O reino divino está dentro de cada um.

Casa 24 – Más companhias:
Diz-me com quem andas e te direi quem és.

Casa 25 – Boas companhias:
Boas companhias atenuam os caminhos.

Casa 26 – Pesar, tristeza:
Amanhã será outro dia.

Casa 27 – Serviço desinteressado, altruísmo:
O que se faz com amor, pode dar trabalho, mas não é trabalho.

Quarta Estação

Casa 28 – Prática adequada:
Você é aquilo que vibra! Seja fiel à sua natureza.

Casa 29 – Prática inadequada:
Cair por ação imprópria é uma oportunidade de fortalecimento.

Casa 30 – Boas tendências:
Mente quieta, espinha ereta e coração tranquilo.

Casa 31 – Santidade:
A alma só veste simplicidade.

Casa 32 – Plano do equilíbrio:
A Virtude está no meio – disse Buda.

Casa 33 – Fragrâncias:
Um corpo em equilíbrio produz aromas naturais.

Casa 34 – Sabores:
Sem adicionar açúcar ou sal, perceba a verdadeira natureza dos alimentos.

Casa 35 – Purgatório:
Um tempo para avaliar os erros veniais21 e as transgressões.

Casa 36 – Clareza da consciência:
Liberdade de voar e liberdade de pousar onde o coração quiser.

Quinta Estação

Casa 37 – Conhecimento:
Conhecimento é fruto do estar atento, mas não é a completa sabedoria.

Casa 38 – Força vital:
Não se contem a Força da Vida. Ela flui sem parar: Samsara!

Casa 39 – Eliminação:
Respire fundo! Prana é a energia que nutre e Apana a que purifica.

Casa 40 – Circulação:
Oxigenise-se e desoxigenige-se. Respiramos 23.000 vezes por dia!

Casa 41 – Plano humano:
Caiu a ficha! Somos todos Um! Recalcule sua rota.

Casa 42 – Fogo:
No fogo tudo queima: o amor, o ódio e a libertação!

Casa 43 – Nascimento do homem:
Vida nova é recomeço, é aceitação. É ponto de partida.

Casa 44 – Ignorância, cegueira espiritual :
O ignorante afirma, o sábio duvida, o sensato reflete.

Casa 45 – Percepção correta:
Em paz com a vida e com o que ela me traz.

Sexta Estação

Casa 46 – Discernimento, consciência:
Em cada coração pulsa a Vida. Em cada respiração, um êxtase.

Casa 47 – Caminho do meio, neutralidade:
Não espere nada. Aprecie tudo.

Casa 48 – Vigor:
A força masculina é a força do sol. Realiza, mas pode extrapolar.

Casa 49 – Ternura:
Há que endurecer, mas sem perder a ternura jamais.

Casa 50 – Plano de austeridade:
Consumir apenas o necessário é suficiente.

Casa 51 – Mãe Terra:
Filhos, eu os acolho nos meus seios, somos todos UM.

Casa 52 – Violência:
Incitar violência em nome de Deus é anarquia espiritual.

Casa 53 – Água:
Nada como um banho frio para apaziguar os ânimos.

Casa 54 – Devoção, plano espiritual:
Devoção com desapego leva direto à Consciência Cósmica.

Sétima Estação

Casa 55 – Egoísmo, Egocentrismo:
Você é o que você espalha, e não o que você concentra.

Casa 56 – Vibrações perfeitas:
Quem mantra, seus males espanta. Oooommmm…

Casa 57 – Ar :
As dunas de areia desviam o vento mas não o detêm.

Casa 58 – Luz:
Luz, a mais sutil vibração que transmite o calor do fogo.

Casa 59 – Plano do real, verdadeiro:
Há mais coisas no céu e na terra do que sonha nossa filosofia.

Casa 60 – Positividade:
Siga adiante. Se chegou até aqui é porque está funcionando.

Casa 61 – Negatividade:
A vida é muito curta pra não abraçar apertado.

Casa 62 – Felicidade:
Equilíbrio entre corpo, mente e espírito, a um passo do objetivo.

Casa 63 – Escuridão:
Próximo da chegada, a grande queda é perder-se no caos e na escuridão.

Oitava Estação

Casa 64 – Fenômenos:
Constituem o mundo experimentado e não o mundo como é.

Casa 65 – Espaço interior:
A realização é ser tudo, sendo você mesmo!

Casa 66 – Bem-aventurança:
Compreender a sorte de estar vivo é uma vivência, não um ensinamento.

Casa 67 – Bem cósmico:  (Shiva)
A evolução (destruição e reconstrução) move a Vida.

Casa 68 – Consciência cósmica: (Vishnu)
A moderação elimina os excessos e abre o portal da Vida Eterna.

Casa 69 – Criador e Criação: (Brahma)
A criação dá a partida da Vida.

Casa 70 – Consciência harmônica:
Entre o que você quer e o que você pode, fique com o que deve fazer.

Casa 71 – Consciência ativa:
Agir inicia a evolução. Mas tire o excesso para caber o essencial.

Casa 72 – Inércia, inconsciência:
Não resista à mudança. Vá! Se der medo, vá com medo mesmo. Você tem que ir.

6. Agradecimentos e Referências

Os autores agradecem a todos os Caminhantes Lila que colaboraram participando de conversas e avaliações durante a elaboração desta versão do Maha Lila.

Também agradecem a outros autores, mestres, palestrantes e comentaristas por disporem seus trabalhos para consulta. Entre estes, destacamos especialmente:

Harish Johari – autor do livro “Leela: The Game of Self-Knowledge”, Destiny Books, Rochester – 1993/2007

Ramakrishna Puligandla – autor do livro “Jñana Yoga The Way of Knowledge”, D.K. Printworld Ltd., Nova Delhi – 1997

Peter Marchand – por seu intermédio tomamos conhecimento do Maha Lila e que é o autor do livro “The Yoga of Truth”, Destiny Books, Rochester – 2007

Graciela Cohen – diretora do “Proyecto Lilah” e autora do livro “Lilah, el juego del autoconocimiento”, Gaia Ediciones, Madrid – 2013

David Henrique Alencar – pela edição gráfica digital dos desenhos
Anderson Cardoso – pela confecção dos fotolitos dos desenhos

Vandré Brunazo – pela edição do site www.mahalila.blog.br

Pedro Kupfer – estudante e divulgador do Maha Lila no Brasil
Beto Mancini – estudante e divulgador do Maha Lila no Brasil
Prem Narasimha – estudante e divulgador do Maha Lila no Brasil

Walter Franco – compositor e cantor brasileiro (o roqueiro Zen), autor da canção/mantra “Coração Tranquilo”

7. Sobre os Autores

Esta adaptação do jogo Maha Lila Taokopelli foi desenvolvida com amor, carinho e devoção à Vida por:

Bia Majido Blossom – nascida em agosto de 1951 em Buenos Aires, Argentina, com o nome de Beatriz Margarita Adler. Mudou-se para o Brasil aos 12 anos onde formou-se em Administração de Empresas na FGV. Estudou Runas, Constelações Familiares, Osho e outras linhas alternativas. Em 1991 lançou o livro “A Magia das Runas” (esgotado) em coautoria com sua irmã Ruth Adler. Recebeu o “sannyas” (outro nome) Majido em 2006 pelo Osho e de Blossom em 2013 através do amor de seu companheiro Vajra Kika.

Vajra Kika – nascido em março de 1950 em São Paulo, Brasil, com o nome de Amílcar Brunazo Filho. Criado na cultura cristã protestante, no plano prático formou-se em Engenharia pela Poli-USP . Além do pensamento científico, desde cedo sentiu interesse pelas escolas orientais de pensamento místico, em especial pela Advaita Vedanta (não dualismo), tendo escrito o livro “O que Você Quer Dizer com Isso?” em 1992. Considera-se um Agnóstico Estrito e um praticante instintivo de Jñana Yoga. Recebeu o “sannyas” (outro nome) Vajra Kika em 2013 através do amor de sua companheira Bia Blossom.

Mensagens sobre pedras

Embora as misteriosas marcas e imagens talhadas ou pintadas em penhascos e pedregulhos do Ocidente sejam geralmente referidas como arte primitiva, é duvidoso que elas representem a arte como a entendemos hoje. Elas são esforços de comunicação e são mensagens com verdadeiros propósitos, como o são as assinaturas, sinais de trânsito, graffitis, símbolos religiosos, marcas comerciais, cartoons, sinais, letreiros, propagandas, símbolos secretos e matemáticos, todos eles servindo para

transmitir uma imagem mental de uma mente para outra. Portanto, assim chamamos este folheto intitulado “Mensagens sobre pedras”.

Se pudéssemos entrar nas mentes dos artistas “antigos” quando em prática, provavelmente encontraríamos pensamentos como estes:

1) Eu fiz uma ação poderosa. Quero que todos saibam sobre isto; 2) Este é o nosso território, vou publicar este aviso para manter os outros fora daqui; 3) Devo prestar homenagem aos meus deuses, criarei suas imagens e cerimônias; 4) Meus clãs e parentes são os melhores – reivindicamos esta área como nossa; 5) Este animal é importante para mim, penso muito sobre ele e vou desenhar a sua semelhança; 6) Estou aborrecido, vou desenhar algo para passar o tempo; 7) Eu tive um sonho estranho, talvez seja importante, uma imagem me ajudará a lembrá-lo; 8) Meus amigos e eu tivemos uma ótima cerimônia, vou registrá-la; 9) Voltei de uma longa jornada, tentarei mostrar meu caminho pela terra; 10) Meu chefe me pediu para vir aqui e colocar alguns sinais ao longo da trilha. Eu vou fazer isto o mais rápido possível; 11) Tenho um novo desenho artístico em mente, vou gravá-lo antes de esquecer o mesmo.

Autores do texto: William Michael Stokes e William Lee Stokes no livro Messages on Stones